Como norma e prática revolucionária a autocrítica é uma poderosíssima ferramenta de desenvolvimento e formação de mulheres e homens militantes e revolucionários. Assim todos que se consideram como tal devem praticar a autocritica de forma constante para evitar qualquer tipo de sectarismo.
Pensando sobre isso torna-se necessário uma leitura da obra “Os Desafios da Esquerda Latino-Americana” da eminente escritora marxista Marta Harnecker. Nessa obra a autora chilena apresenta como desafios a serem superarados – pela esquerda continental – três grandes problemas ou crises, a saber: 1) Crise teórica; 2) crise pragmática; 3) crise orgânica.
A primeira crise se dá pelo comodismo em que caímos. Nós marxistas temos uma vasta literatura, porém esquecemos de que toda essa literatura é dialética, ela se transforma a partir de constantes movimentos de negação da realidade buscando sua superação. Dessa 1º crise resulta a 2º, a crise pragmática. O pragmatismo se instalou na esquerda de forma assustadora; nós estamos lendo o que já foi lindo com os mesmos olhos de quem leu em épocas passadas. Devemos trazer toda a vasta literatura marxista para nossos dias e inovar nas soluções para os problemas atuais. Dessas duas grandes crises – que por sí só já causam grande prejuízo – culminamos na 3º grande crise que é a crise orgânica. Estamos sentindo falta de revolucionários completos, de mulheres e homens de ação e de teoria. Hora nos falta uma coisa, hora a outra.
Concordo com Marta Harnecker, e acredito que a única saída para resolvermos essas três grandes crises é a formação de quadros revolucionários. Precisamos saber onde pisamos e com que calçados pisamos. Como diria o grande Engels: “A prepotência grosseira do sentido comum burguês se detém perplexo diante do fosso que separa a essência das coisas de suas manifestações; a causa, do efeito; e se alguém vai caçar com cãeságeis e velozes, em terrenos escamborsos do pensar abstrato, não deve fazê-lo no lombo de um pangaré”. (Marx, Engels, 2008, p. 280)
A diferença entre o que se vê e o que se é, ou seja, a existência da essência é monumental. Precisamos saber disso. Parafraseando Lênin, teoria sem prática não tem serventia e prática sem teoria é cega.
Um revolucionário de esquerda deve ser pautado no materialismo histórico; deve conhecer seu inimigo; deve fugir do senso-comum; deve ter visão crítica de mundo. O revolucionário não apenas questiona a ordem estabelecida por meio de gritos de guerra; ele cria condições para uma nova ordem. Lembremo-nos de Luiz XVI perguntando ao Duque de La Rochefoucauld-Liancourt , “é uma revolta?”, a resposta do duque foi: “Não senhor, é uma revolução”. E a revolução foi feita!
Formar os quadros é preciso, é preciso pois, precisamos de mulheres e homens revolucionários e conscientes, ou seja, precisamos de intelectuais orgânicos no verdadeiro sento gramsciano, intelectuais que lutem, revolucionários de teoria é prática!
Francisco Ádila Ferreira








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