O materialismo histórico-dialético – ou marxismo – foi criado e desenvolvido por Karl Marx e Friedrich Engels com a finalidade de proporcionar uma compreensão concreta da realidade material e desenvolver uma verdadeira filosofia da práxis, onde todos os males e todas as desigualdades existentes no seio da sociedade capitalista fossem desvendados e compreendidos, principalmente por aqueles que mais necessitavam dessa compreensão, ou seja, os proletários.
Para iniciar o assunto, cabe dizer que o sistema é denominado materialista, pois parte de uma base real e material. É histórico, pois rejeita o anacronismo idealista e parte do desenvolvimento histórico da humanidade, onde toda evolução histórica provém do desenvolvimento das forças produtivas materiais. É dialético, pois parte de contradições (antagonismos) para buscar superara uma determinada realidade estabelecida. Os pais do marxismo demonstraram que toda a realidade social concreta é permeada de contradições, essas contradições sociais são o que gera o motor da história, ou seja, a luta de classes, onde trabalhadoras e trabalhadores entram em confronto direto com os interesses de seus algozes (patrões). É sabido que os interesses de ambos são contraditórios.
As péssimas condições de trabalho existentes no início da industrialização (que em certos locais perdura-se até nossos dias) e a imensa miserabilidade e pauperismo em que sem encontravam (e ainda se encontram) os trabalhadores proletários, por si só, já se apresentam como motivos para a negação de um sistema de produção de desigualdades e de exclusão, porém cabe explicar, por meio de um método filosófico-cientifico, como essas condições de exploração surgiram.
No Manifesto comunista, Marx e Engels analisaram os modos de produção até então existentes e chegaram à conclusão de que todos esses modos de produção passavam por momentos de superação, onde sempre surgia uma classe revolucionária que promoveria uma revolução social. Essa classe, por se apresentar como vanguarda, passaria a ser a classe social dominante de determinada época. Assim aconteceu com a burguesia, que como classe revolucionária destituiu a velha ordem feudal e se tornou classe dominante, assim ela determina todas as relações sociais e econômicas de nossa época, ou seja, todas as relações de produção. Aqui se encontra a chave de todo o problema; as relações de produção não evoluem, pelo contrário, elas se deterioram, ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres, porém as forças produtivas (em resumo: tecnologia e saber humano) não param de evoluir. De forma didática, produz-se mais e divide-se menos. Aqui surge um antagonismo que resulta em luta, é a famosa luta de classes. O resultado dessa luta são as revoluções sociais:
Na produção social da própria existência, os homens entram em relações determinadas, necessárias, independente de sua vontade; essas relações correspondem a um grau determinado de desenvolvimento de suas forças produtivas materiais. A totalidade dessas relações de produção constitui a estrutura econômica da sociedade, uma base real sobre a qual se eleva uma superestrutura jurídica e política e à qual correspondem formas sociais determinadas de consciência. O modo de produção da vida material condiciona o processo de vida social, política e intelectual. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser; ao contrário, é o seu ser social que determina sua consciência. Em uma certa etapa de seu desenvolvimento, as forças produtivas materiais da sociedade entram em contradição com as relações de produção existentes, ou, o que não é mais que sua expressão jurídica, com as relações de propriedade no seio das quais elas se haviam desenvolvido até então [...] Surge uma época de revoluções sociais. (MARX, 2008, p. 47)
Cabe a nós, proletários do mundo todo, unirmos e compreendermos que o antagonismo entre forças produtivas e relações de produção chegou a seu ponto máximo, em especial no Brasil. A superação do modo de produção capitalista por um modo de produção humanizado e com relações igualitárias se faz mais que necessário, ela é inevitável. Lembremos o que Marx nos falou: “Tudo que é sólido se desfaz no ar”.
Francisco Ádila Ferreira de Almeida







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