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domingo, 8 de março de 2020

Literatura de Cordel: O extermínio dos índios no Brasil

14:33 0
Quase mil povos indígenas
Já tombaram exterminados
Trezentos e cinco restam
Em nossos dias contados
Num triste levantamento
Detectaram esses dados.

Pelas guerras declaradas
De Extermínio Decretos
Tiveram por conseqüência
Dados cruéis e concretos
Cinco milhões de indígenas
Assassinados diretos.

Não é pouco conhecida
Essa história de terror
Pois ela foi transmitida
Com a visão do invasor
Exaltando o “heroísmo”
Do assassino malfeitor.

Eram milhares de tribos
De etnias incontáveis
No litoral, no sertão
Ou regiões inefáveis
Sofrendo a degradação
Por técnicas deploráveis.

Para expandir a colônia
A exploração implantaram
As milícias, missionários
Às tribos escravizaram
E àquelas que resistiram
Prontamente exterminaram.

Queriam os invasores
Domínio estabelecer
Pelos seus campos agrícolas
E seu rebanho crescer
Eliminando os indígenas
Lançados nessa mercê.

E fizeram as “Guerras Justas”
Massacres e a escravidão
Assassinatos grotescos
Suma catequização
Núcleos de povoamento
Sentença condenação.

Os índios aprisionados
Das mortes encaminhadas
As mulheres das aldeias
E as crianças raptadas
Para servirem de escravas
E para serem violadas.

As missões dos jesuítas
Visaram estabelecer
A expansão portuguesa
E o domínio manter
O interior povoado
À força prevalecer.

E prosseguiram a conquista
No território avançando
A quantos índios achassem
Aos mesmos iam acabando
A chacina, o genocídio
A ferro e fogo espalhando.

A lógica capitalista
Condiciona a relação
Do ser humano com a terra
O poder aquisição
Se a terra é mercadoria
O índio é contradição.

Foi contra o índio lançado
O morticínio, a tortura
O latrocínio, a infâmia
Posta de forma mais dura
Pra fulminar suas vidas
E destruir sua cultura.

E tudo isso foi feito
Pelo progresso em seu nome
Foi extermínio pro índio
A sua miséria, e fome
E o que lhe resta na vida
Logo aparece quem tome.

O genocídio de hoje
Pelos cantos se alastrando
Vai engolindo suas terras
De todo vai lhe tragando
Dia a dia, passo a passo
No espaço se divagando.

Como vai viver o índio
Da forma como vivia?
Quem vai tratar o planeta
Do jeito que ele fazia?
E garantir que a terra
De antes lhe pertencia.

Hamurábi Batista
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A banalidade do mal

12:07 0
A expressão, muito citada, da filósofa alemã, de origem judaica, Hannah Arendt (1906-1975) continua atual. Na verdade, ela, a expressão, é trecho do subtítulo do seu livro, "Eichman em Jerusalém - um relato sobre a banalidade do mal" (1963). Arendt referia-se ao genocida nazista Adolf Eichman. Homem de nível cultural, aparência e gestos comuns, enfim, pessoa medíocre (no sentido exato da palavra: mediano), mas um dos maiores assassinos da história da humanidade.

Aplica-se, cai como uma luva, no governo Bolsonaro. Há orquestração de maldade nos pensamentos, palavras e obras do presidente e de quase todos os seus ministros, secretários e dirigentes de fundações ou qualquer órgão da administração federal. Já prestaram atenção nisso? Tod@s @s que assumem quaisquer cargos chegam com palavras de afronta aos direitos humanos, às questões culturais, nacionais, regionais, raciais, de gênero, aos povos nativos e aos necessitados. É tudo combinado. Desmonte de tudo o que existia em favor do povo. O desmantelamento do programa Mais Médicos, que deixou milhões de pessoas sem assistência, foi a primeira decisão do governo Bolsonaro. Daí em diante não veio apenas um, mas uma série de pacotes de maldade. Outros ainda estão por vir.

Mesmo orquestradas, essas ações e palavras não são do mesmo nível, porque são perpetradas por pessoas diferentes. Vão do patético, risível à maldade refinada, ao ódio premeditado.

Já se dividiu o governo Bolsonaro em dois: setores: o cômico (Weintraub, Damares) e o da maldade (Guedes e Sérgio Moro). Não há divisão, eles se completam.

Os casos são constantes. O mais grotesco foi o do cover de Goebbels, o ex-secretário de Cultura Roberto Alvim. Assume (?) a atriz renomada Regina Duarte, mas o grotesco continua. Em vez de palavras de esperança aos colegas a atual "fascistinha do Brasil cita o "marxismo cultural", expressão cunhada pela extrema-direita. Ela não sabe nem o que é marxismo. Para agradar o "führer".

Por sua vez, Weintraub veio para destruir. O mais grave nele não é o semi-analfabetismo: é essa sede de destruição de ações educativas vitoriosas no Brasil, como é o caso do Enem, do Enad, da alfabetização de adultos.

Damares lança campanha contra gravidez na adolescência. Quem é a favor disso? Se a única maneira de evitar a gravidez é a abstinência sexual (não é, todos sabem), que adolescentes se abstenham para evitar o mal maior. Nada contra. Mas vem a marca da maldade: para chocar fala em alguém (o perpetrador do abuso) "possuir uma vagina de menina de 12 anos", como se adolescência se limitasse apenas a esse patamar etário. Atenção para o verbo "possuir" (que coisa grotesca). Quem violenta é possuidor de quem, de quê?

Guedes se revolta com empregada doméstica na Disney. 

É a questão da banalidade do mal. Eles/elas estão a falar para quem? para a grande parcela conservadora e desinformada da sociedade brasileira. Não apenas às classes dominantes, liberais em questão de sexo, em sua maioria. É para a dona de casa, o pedreiro, o motorista de táxi. As mensagens têm receptividade em alguns setores da população. É assustador.

Paulo Verlaine,
Jornalista e  escritor
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O fascismo brasileiro é racista, não nacionalista

11:54 0
O fascismo não passa de uma carta na manga capitalista, usada nos tempos em que a farsa eleitoral – dita “democracia liberal” – não funciona para seus propósitos de conservação do lucro imediato. Apela-se então para o ódio ao Outro, à violência xenófobo-racial e de gênero, à culpabilização midiática de tudo o que é diferente ou que propõe algo distinto do quadro lastimável que está posto. Com isso, alcançam justificar um maior controle social da população (ou, mais especificamente, dos trabalhadores).

Se nos anos 1930 as potências capitalistas estavam em conflito, e o capital ainda tinha certa “nacionalidade”, dando espaço para a aparente característica “nacionalista” do fascismo, agora a situação é outra. A nova gestão neoliberal do capital é “global”, e já não permite tais desavenças internas.

Uma disputa intercapitalista, neste momento de crise estrutural do sistema, poderia ter como consequência uma prolongada recessão, problema já colocado pela disputa comercial entre as duas atuais maiores potências geopolíticas: Estados Unidos e China. Ainda que se possa objetar que a China não é capitalista (e de fato não o é em sua reformista distribuição planejada da riqueza interna), em se tratando do comércio exterior, o governo nacional-desenvolvimentista chinês atua no mercado internacional respeitando, como não poderia deixar de ser, as regras impostas pelo capitalismo hegemônico.

E, inclusive, atua com mais destreza e organização que os próprios países “internamente” capitalistas, dada sua capacidade de planejamento social e regulação da moeda. Por esse motivo, aliás, os chefões do “centro” do sistema querem agora mudar as regras (“centro” dirigido desde Washington, mas conformado também pelas potências menores que compõem as forças dirigentes da economia – Grupo dos 7 –, e cujo braço militar é a nuclear e intrusiva OTAN”.

O fascista é racista, não nacionalista

Em seus fundamentos centrais, o fascismo (que chegou a ser sofisticamente nomeado, na Alemanha, de “nacional-socialismo”), não é nem “nacional”, nem muito menos “socialista.

A identificação maior entre os doentes do espírito, seus adeptos, dá-se sobretudo em torno de um anticientífico e banal discurso “racial” – tão verdadeiro quanto a planitude do nosso planeta ou a imparcialidade jornalística.

O fascismo é um instrumento do capitalismo para tempos de crise. No passado, o chamado fascismo clássico teve uma face “nacional”, pois a empresa capitalista não tinha ainda sua administração unificada, havendo interesses nacionais na disputa pela liderança (prerrogativa somente das potências, pois que Estados periféricos como o nosso jamais puderam desenvolver um efetivo “nacionalismo”, quando muito patriotadas abstratas que, em se observando, sempre apontam para interesses de fora, desde o colonizador europeu até o atual neocolonizador ianque).

Contudo, no contemporâneo capitalismo neoliberal, com regras e finanças mundiais praticamente unificadas, o grande capital é todo ele sócio entre si. Não à toa os grandes bancos e empresas-chave de nações e regiões centrais do capitalismo (EUA, Europa, Japão) não quebram: pois sua falência abalaria o andar da máquina conjunta do sistema-mercado.

Quanto às nações dominantes – as que dirigem a “globalização” no sentido das vantagens competitivas de suas corporações –, é possível encontrar em seu fascismo ainda hoje elementos que podem ser tidos como minimamente “nacionalistas” – vide Trump e suas tentativas, em grande medida fracassadas, de protecionismo das “nacionais” corporações transnacionais (o que não significa proteção do povo estadunidense).

No Brasil e na periferia do capitalismo, porém, essa forma autoritária e irracional de governo (vale reiterar, instaurada pelo capital em tempos de desestruturação social, quando a desmoralizada “democracia formal” se vê ameaçada eleitoralmente), o fascismo nada tem de “nacionalista” – e mesmo uma Odebrecht pode vir a falir.

Na periferia capitalista o fascismo mostra mais sua cara

Em uma nação com um processo de independência tão incompleto como o Brasil (estenda-se à América Latina como um todo), a prática fascista tem de ser – e é – necessariamente diferente.

Por essas bandas, a revolução de independência nunca avançou o aspecto da “política formal”, legando ao país uma posição profundamente dependente – e subalterna – nos âmbitos econômico, militar, geopolítico, judiciário…

Veja-se hoje o Brasil do futuro: uma nação piada-feita em que as próprias elites do funcionalismo estatal (!) judiciário-parlamentar-militar, em conluio com patrões externos e agências de espionagem estatais, sacrificam nosso próprio patrimônio e “nossas” próprias empresas estratégicas (de capital majoritário nacional) em troca de míseras propinas e premiações-vergonha no vistoso palco exterior.

Nossos capos da máfia capitalista interna – associados menores do capital internacional – não têm o mínimo interesse em bravatas “nacionalistas”, inclusive porque, introjetando historicamente seus papéis de vassalos, vivem das esmolas de sua prática entreguista.

Aspectos do fascismo: essa enfermidade do capitalismo

Efetivamente, é na crueza da periferia do capitalismo – como já alertou o genial pensador Florestan Fernandes – onde se pode, antes e com mais nitidez, observar as consequências desastrosas do atual sistema. Do mesmo modo o fascismo, face grave do desastre moderno-burguês, pode também por aqui ter melhor verificados seus fundamentos.

Entendo que o fascismo deve ser analisado em sua complexidade de caracteres, como uma enfermidade social e do espírito que, fundada em disparatados misticismos, conduz a atitudes irracionais: violentas, bestiais, desonestas, anticientíficas. E isso, tanto no plano individual, como no social: um modo de comportamento patologicamente covarde que, por temer exageradamente a força do Outro (que em sua limitação intelectual praticamente desconhece), o agride por trás.

Individualmente, é um estado de espírito raso, pueril, medroso, tumor psíquico que por vezes degenera para uma perversa situação social; em casos agudos, torna-se uma prática econômica e de poder político extremamente autoritária, segundo a qual se submete a “totalidade” da sociedade. Trata-se, portanto, como bem ressalta Marilena Chauí, de um regime totalitário: como o é todo regime neoliberal (com ou sem o tal teatro eleitoral).

Seu objetivo essencial é a defesa das estruturas cambaleantes do capitalismo em crise, ainda que nessa escalada (que passa necessariamente por elementos irracionais presentes no imaginário popular), o projeto fascista costume fugir ao controle “racional” de seus acionistas, causando prejuízos ao próprio capital que o promoveu.

União Europeia: de patrocinadora à crítica do fascismo que incendeia

Um exemplo da caótica fuga de controle – típica do fascismo – é o que presenciamos agora na Amazônia, mais e mais dilacerada a cada estupidez do Nero vira-lata que ocupa o posto jogral no governo.

Como hoje é público e bem-sabido, o ultradireitista – fascista – brasileiro foi “eleito” mediante um prolongado golpe, trama complexa que em sua frente midiática contou, desde o princípio, com o apoio da imensa máquina de propaganda das transnacionais de comunicação (com destaque para as corporações europeias ligadas aos poderosos membros do G7 e OTAN: BBC, EFE, Reuters, AFP, Figaro, El País).

Tais empresas de comunicação das potências da UE (em grande medida bancadas por seus governos fortes que vêm questionando a “capacidade brasileira de gerir a Amazônia”) atuam, cada vez mais íntimas, nos territórios nacionais periféricos (todas já com edições, senão em português, ao menos em castelhano).

“Curiosamente”, desde o começo do golpe, todas essas corporações apoiaram abertamente a “primavera latino-americana”, armação focada na nossa espetaculosa “luta contra a corrupção” (em verdade, uma sabotagem da ascensão do reformismo nacionalista que se gestava por aqui). Seus editoriais, por anos e anos, saíram sempre na franca defesa do enfraquecimento de nossos Estados nacionais (e em prol, obviamente, do fortalecimento de seus próprios Estados).

Assim, de arautos da liberdade contra a “ditadura” (eleita e reeleita) de Chávez, os conglomerados europeus (estatais ou patrocinados por seus Estados fortes) passaram então à crítica severa do “populismo” (eleito e reeleito) dos Kirchner, até chegarem, quando sentiram espaço pra isso, à desaprovação dos “desvios pessoais” do (eleito e reeleito) lulismo. Um interesseiro manifesto midiático contra o poder eleitoral dessa tendência nacional-reformista que crescia voltada à Eurásia, à revelia da Europa Ocidental enfraquecida.

Com efeito, a aliança dos BRICS – que faz tremer a Europa – encarna o poder desse projeto por maior autonomia nacional (real independência) e pelo enfrentamento do G7 (multipolaridade geopolítica).

Brasil: fascismo de elites apátridas

A lenda perversa da “raça superior” (presente também em tantas religiões que vêm sendo esquecidas pelos deuses), decerto continua a existir como parte central do dogma fascista: essa doutrina pautada pelo ódio ao Outro, pela culpabilização daquele que é diferente (a quem se acusa pelos próprios fracassos pessoais ou do sistema).

Entretanto, no Brasil (e em tantas nações inconclusas como a nossa), esses “escolhidos” do sistema nada têm de “nacionalistas”, posto que nossas classes dominantes (seio em que procriam tais vermes), são apátridas: brasileiras somente de nascença, por acaso, por “azar”, quem sabe até mesmo pela “seleção de futebol”, mas sempre que possível em busca de uma segunda nacionalidade que a alije ainda mais do povo – mestiço, negro, indígena – a que despreza e com o qual nunca se identificou (espelhando-se sempre no fenótipo e cultura europeus).

***

Em suma, a pretensa “superioridade vital” do fascista (o “eleito” da religião do capital) é um dogma que se mantém. Porém, no Brasil (e demais seminações), essa “irmandade”, que identifica o fascista, não se dá com a “nação”, mas com aqueles que lhes parecem “mais brancos” do que ele, ou seja, com os que vêm de fora, da “gringa”, como se diz. Jamais com o povo brasileiro.

Yuri Martins Fontes
Doutor em história econômica, com formação em filosofia e engenharia (USP); pós-doutorado em história do trabalho, e ética marxista. Exerce atividades como pesquisador, professor, escritor e jornalista. Coordena o Núcleo Práxis da USP (formação política/ educação popular). É autor de Marx na América: a práxis de Caio Prado e Mariátegui, dentre outros livros. Trabalhou nas revistas Retrato do Brasil, Caros Amigos e na editora Boitempo. Colabora com meios independentes, como os jornais Resumen Latinoamericano (Argentina), Brasil de Fato e Agencia Latinoamericana de Información (Canadá/Equador). É colunista da Fórum.

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Manifesto de quem ama Fortaleza

11:47 0
Mais que resistência, estamos sendo convocados pela história a reconstruir a esperança. Apesar do ódio, da intolerância, do preconceito, da tentativa de nos amedrontar e da institucionalização da barbárie, estamos diante de um grandioso desafio: enfrentarmos e vencermos o reacionarismo, o obscurantismo e o autoritarismo.

Nossa história é de luta, resistência, sonhos e conquistas. Sim, conquistas! Não renunciamos à defesa do nosso projeto democrático e popular que por mais de uma década modificou a face injusta, perversa e desigual de um Brasil construído estruturalmente colonialista e escravocrata.  Havia e há muito a ser feito.  Mas não será o capital e o mercado que irão modificar a realidade de sofrimento e desigualdade que atinge o nosso povo. Pelo contrário, estão como de costume destruindo anos e anos de conquistas populares. Diante de tamanho absurdo, louvem-se as mais variadas formas de luta e resistência do nosso povo.  Mas é necessário muito mais. Precisamos de mais ousadia, mais lutas e força social, experiência, unidade na ação e, especialmente, vitórias significativas das forças de esquerda nas próximas eleições municipais.

Em outubro teremos eleições para prefeitas, prefeitos, vereadores e vereadoras em todos os municípios dos país. Elas serão um momento crucial para reafirmarmos nossa visão de mundo e nossos valores. Ao endeusamento do mercado deve ser contraposta a solidariedade. À exclusão, a inclusão. Contra o culto à ditadura, defenderemos a participação popular e a ampliação da democracia. Ao elogio da tortura, contrapomos a defesa da liberdade e dos direitos humanos. À intolerância, o respeito a todos e todas. Ao ódio, contrapomos o amor.

É nesse contexto que Fortaleza deve ter uma candidatura do PT. Uma candidatura que expresse a experiência de uma administração com participação popular, radicalidade democrática, competência e inversão de prioridades. Mas que esteja também vinculada com a defesa da democracia, contra o fascismo, a visão autoritária e policialesca de gestão; sintonizada com os mais solidários e profundos interesses do nosso povo: homens, mulheres, jovens, negras, negros, crianças, adolescentes, idosos, gays, lésbicas, transexuais, transgêneros e pessoas com deficiência, todas e todos que lutam, sonham e trabalham cotidianamente por melhores condições de vida.

Uma candidatura que tenha a capacidade de dialogar com diversos setores democráticos e populares, movimentos, lutas e iniciativas populares, para que em uma ampla frente pela democracia, contra o fascismo e pela esperança, possa impor uma derrota na nossa capital às visões elitistas, conservadoras e autoritárias de governo.

O PT tem nomes valorosos que poderiam cumprir muito bem cumprir esta tarefa e nos representar. No entanto, acreditamos que, neste momento, é o nome da deputada federal e ex-prefeita de Fortaleza Luizianne Lins, o que reúne as melhores condições de aglutinar forças politicas e sociais para o desafio de encabeçar mais que uma candidatura. Encabeçar um amplo movimento de resgate de uma Fortaleza com participação popular e inversão de prioridades e que torne nossa cidade um polo de resistência ao fascismo que nos ameaça.

Com todas as tentativas que fizeram para apagar ou enganar as pessoas sobre os feitos do nosso Governo em Fortaleza, sentimos que ainda está na memória do nosso povo, as centenas de assembléias do Orçamento Participativo que definiram obras, programas e até o Plano Diretor da cidade. Está nos seus corações, conquistas como o fim do flagelo das escolas anexas da era Juraci. A radical melhoria na merenda escolar, no fardamento, nas condições físicas das escolas e o ganhos para os profissionais da educação; os CUCAS, o Hospital da Mulher, a democratização das políticas culturais, a melhoria do atendimento da saúde. Foi dela, as primeiras iniciativas de políticas públicas municipais para a juventude, para as mulheres, para o povo negro e para a população LGBT. Políticas de inclusão que são a antítese de tudo que estamos assistindo no Brasil. Sem falar dos projetos e recursos deixados para diversas obras que ainda se vêm na Cidade.

A candidatura do PT deve ser fruto de um processo democrático. Uma das grandes virtudes do PT é sua democracia interna. É a idéia de que o partido não tem dono e que são suas instâncias e fóruns coletivos que decidem seus rumos. Sendo assim solicitamos ao Diretório Municipal do PT Fortaleza a definição, o mais breve possível, de um calendário de definição da tática eleitoral do PT Fortaleza para essas eleições, bem como a escolha do nome que nos representará nessa disputa municipal. Lembrando que a inscrição de nomes para as prévias do PT de São Paulo, por exemplo, já encerrou no dia 30 de janeiro. Essa escolha poderá ser feita por prévias ou outro mecanismo coletivo previsto no estatuto do Partido, mas de forma que fiquem preservadas nossa democracia e nossa unidade.


Lula Livre e Inocente!

Luizianne Prefeita de Fortaleza!

Assinam este manifesto:


CAMPO DEMOCRÁTICO
MOVIMENTO PT
OPTEI
VANGUARDA POPULAR
DEMOCRACIA SOCIALISTA

Abraão Maciel – Professor (Vanguarda Popular)
Adeliani Almeida Campos – Professora, aposentada
Adília Linhares – Farmacêutica e militante petista
Adriana Braga Lima – Feminista negra, Movimento de Empreendedoras/ Granja Portugal
Adriana Santiago – Jornalista
Adriane de Araujo Alves – Estudante
Adriano Bessa dos Santos – Presidente da Associação Milho Verde
Adriele de Araujo Alves – Estudante
Afonso Barbosa – SINDSEF
Afonso Tiago Nunes de Sousa – Militante do PT, professor
Aila Marques – Marcha Mundial das Mulheres
Alexandre Giangiulio – Tatuador e artista plástico, militante petista
Alexandre Santos – Servidor Público Federal, advogado/ Passaré
Alexandre Victor Lima Ribeiro – Estudante de pedagogia e militante petista
Alfredo Pessoa – Professor UFC
Aline Erica Lima Araújo -Pastoral da Criança da comunidade Frei Humberto / Farias Brito
Aline Saraiva – Pré-candidata a vereadora
Alyssia Mª Oliveira Teixeira – Frente de Juventude Kizomba/ Secretária de organização do DCE UFC
Alysson Jones doa Santos Pereira – Frente de Juventude Kizomba/ Secretário Geral do DCE JML-IFCE
Amanda Braga – Sindicato dos Comerciários do Ceará
Amanda Gomes – Diretora de Mulheres da EUE- CE e militante do Coletivo Para Todos
Ana Célia Vital Batista – Artesã e Militante do PT, Rede de Economia Solidária, feminista
Ana Cláudia da Silva de Sousa – Executiva da CUT Ceará
Ana Cleire Marques Diógenes – Funcionária Pública Municipal
Ana Cristina Sousa- LP2 Mulheres / Conjunto Ceará
Ana isabelle Silva Barreto – Coordenadora de campus do Diretório Central dos Estudantes
Ana Jéssica do Nascimento Silva –Frente de Juventude Kizomba/ Diretora de Assistência Estudantil da UNE
Ana Lúcia Barros Maciel – Militante do PT
Ana Maria Costa de Oliveira – Funcionária Pública Estadual
Ana Rita Parissi Accioly – Filósofa
Anderson – Presidente do Sintratel
André Hallens Cardoso de Lima – Prof. Estagiário em Educação Física
André Willian – Frente de Juv. Kizomba, Diretor LGBT da UEE CE Livre e membro do Fórum Cearense LGBT
Andréa de Medeiros Nunes Bastos – Professora
Ângela Holanda- Produtora Cultural
Antonia Genilda Gomes do Nascimento – Militante do PT e feminista
Antonia Mendes – Feminista, negra, casa Lilás
Antônio Augusto Carneiro de Castro – Agroecologista
Antônio Carlos – Professor de Capoeira do Barroso
Antônio Carlos de F. Souza – Ex-deputado Estadual, professor, Dirigente estadual do PT
Antônio Clailton Alves – Inspetor da Polícia Civil
Antônio Felipe Freitas de Oliveira – Frentista e militante petista
Antônio José Alves Santana – União de jovens do Vicente Pinzon
Antônio Leonardo de Castro Pereira – Vice-Presidente da Associação Milho Verde / Farias Brito
Antônio Orenilton Vidal da Costa – Militante do PT
Antônio Pádua (Maninho) – CEBS / Parangaba
Antônio Renan de Maria – Militante do PT
Antônio Ricardo Lima – Militante do PT
Antônio Ronivaldo da Silva Maia – Vereador de Fortaleza
Antônio Sergio Bezerra Ferreira – Pastoral Operária
Antônio Wesley – Coordenador LGBTQIA+ do DCE JML IFCE
Arábia Hyokohama Nogueira Araújo – Chapa partido é para todos e todas
Auke P. de Andrade Maciel – Empresário segmento alimentício
Aurélio Araújo – Militante da CEBS e da Luta das Crianças e Adolescentes / Barra do Ceará
Auto Filho – Professor UECE
Bárbara Lopes Redes – Turismóloga, gestora de marketing da Casablanca truísmo, mestre em comunicação. Desenvolvimento de política sociais voltadas ao desenvolvimento do turismo.
Benedito Alves Aragão – Servidor Municipal
Benedito Teixeira – Jornalista
Bernardo Ferreira Lucas Filho – Militante do PT
Bete Menezes – Marcha Mundial das Mulheres
Bruno Gabriel – Frente de Juventude Kizomba, coordenador de campi DCE JML
Caio Portela – Servidor Público Federal, membro da Comissão de Gênero e Raça do MPF e músico
Camila de Oliveira Campos – Veterinária
Carla Lacerda Viana – Chapa partido é para todos e todas
Carlos Antônio Gildo de Freitas – Chapa partido é para todos e todas
Carlos Augusto Viana da Silva – Professor Universitário
Carlos Cézar Mesquita de Lima – Estudante
Carlos Filho – Diretor da UNE e Coordenação do Coletivo Para Todos
Carlos Maia – Pré-candidato a vereador
Carolina Ferraz Alencar Vieira – Administradora
Caroline de Oliveira Medeiros – Militante do PT
Caroline Lacerda – Frente de Juventude Kizomba/ Secretaria Geral da UEE CE Livre
Caubi Freitas dos Santos – Sindicalista e militante do PT
Cauê Jucá Ferreira – Diretor de acessibilidade do DCE da UFC
Célia Rufino Montenegro – Psicóloga
Cesário Catunda – Médico (OPTEI)
Charlene Alves de Alencar- Professora (OPTEI)
Chico Feitosa – Militante Popular / Parque Dois Irmãos
Cibelle Carolina Gomes Furtado Barbosa – Militante
Cícera Eunice de Farias Alves (D. Nenen) – Professora
Cícera Vieira – Secretária da Mulher Trabalhadora Rural/ FETRAECE
Cícero Bento da Silva – Oposição Cutista no Sindicato da Construção Civil
Cineide Almeida – Militante petista
Claudemir Brito – Executiva da CUT Ceará
Claudia Neves Nascimento – Professora
Colombo Cirqueira – Policial Civil e militante do PT
Cosme Luís – Pré-candidato a vereador
Cosmo Parente Silva – Motorista (OPTEI)
Cris Malagueta – Cantora
Cris Queiroz – Produtora
Crisanto dia Cruz Cavalcante – Barbeiro (OPTEI)
Cristiano Nascimento – Professor (Vanguarda Popular)
Cristina N. de Sousa – Grupo Produtivo CRIART / Santo Amaro
Cristina Nobre, Meireles – Professora da UECE.
Cynthia Studart Albuquerque – Assistente Social, professora do IFCE
Daniel Alves de Oliveira – Conselho Local de Saúde/Pici
Daniel Groove – Cantor e compositor
Dário Bezerra – Ativista LGBTI+ Não-binárie
Davi Lima (Assun) – Coda, professor, cantor e compositor
David dos Santos Barbosa – Mestre de Capoeira do Grande Jangurussu, pré-candidato a vereador
Davidson Kennedy – Frente de Juventude Kizomba/ Diretor de Cultura da UEE CE Livre
Demitri Nobrega Cruz – Advogado, militante de Direitos Humanos
Denis Oliveira – Pré-candidato a vereador
Denise Barroso Correia – Servidora Pública Municipal
Diego Clayton Santana Loiola – Militante do PT
Dona Rosa – Militante Popular do Planalto Ayrton Senna
Edcarlos Rulim – Militante da Economia Solidária e Graduando em Econômia
Edgar Morais – Professor (Vanguarda Popular)
Edicley Braga – Militante da Educação e professora / Vila Cazumba
Edileuza dos Reis – Associação Arte e Costura do Mucuripe e Castelo Encantado
Edmilson Lucas Pereira – Funcionário público de saúde municipal de Fortaleza (OPTEI)
Edson Alves – Doutorando em Linguística Aplicada – UECE
Edson Luiz Ambrósio – Comunicador social, especialista em Políticas Públicas, militante do PT e economia solidária
Eduardo Macedo – Poeta e compositor (Vanguarda Popular)
Edvalso Braz – Pré-candidato a vereador
Elaene Rodrigues – Professora universitária
Elanio Marcio Tavares Macedo – Corretor de imóveis
Eliane Almeida – Feminista e militante do movimento popular
Elisabeth Vieira Silva Bezerra – Associação de Mulheres em Movimento-AMEM/Palmeiras
Elisangela Araujo Pinto – Militante do PT/ Sapiranga
Elizabeth Mourão Almeida – Funcionária Pública
Elmano de Freitas – Deputado Estadual
Emanuel Lima – Maracatu Rei Zumbi
Emanuel Vinícius – Frente de Juventude Kizomba/ Diretor de Meio ambiente da UEE CE Livre
Emanuella Feitosa de Sousa – Comerciante (OPTEI)
Érika Loka Carvalho – Secretaria de Cultura do PT Ceará, militante da Organização de cultura e comunicação alternativa (OCCA/Ce)
Erivanda de Oliveira Fontenele – Profissional da Rede de Saúde mental de Fortaleza, terapeuta ocupacional
Espedito Marcos de Sousa – Chapa partido é para todos e todas
Ethel de Paula – Jornalista
Eudes Xavier – Ex-Deputado Federal
Eudilucia/ Lucinha Sousa – Pré-candidata a vereadora
Eunice Moreira do Nascimento – Militante petista
Eveline de Sousa Ferreira – Advogada e Servidora Pública Municipal
Expedita Araújo – Diretora da Organização SOLIDU
Fabiane Paula Chaves – Promotora
Fábio Montenegro – Professor UFC
Fábio Silva dos Santos – Vigilante e Técnico de Segurança do Trabalho
Fabíola Liper – Atriz e bancária
Fátima Bandeira – Secretária Estadual de Mulheres do PT e Coletivo Feminista Mulheres do Ceará com Dilma
Fernanda Colares – Advogada, militante LGBT e Defensora dos Direitos Humanos
Fernando Carvalho de Sousa – Militante/ Carlito Pamplona
Fernando dos Santos Rocha Filho – Médico
Flavio Alcântara – Associação Esportiva e Cultural Henrique Jorge
Fonteles – Nutricionista (OPTEI)
Francisca Djanira Pedrosa Cavalcante – Aposentada
Francisca Edilane de Sousa – Diretório Estadual do PT
Francisca Eliete Tavares dos Reis – Aposentada
Francisca Eugênia Nogueira de Souza- professora (OPTEI)
Francisca Maciel – Pré-candidata a vereadora
Francisca Maria Cardoso Ramos – Professora / Quintino Cunha
Francisca Martír da Silva – Pré-candidata a vereadora, feminista negra e do MNU
Francisca Saboia de Castro – Movimento Umbanda da Comunidade Frei Humberto / Farias Brito
Francisca Simone de Castro Alves Nepomuceno – Professora aposentada, Coletivo Feminista Mulheres do Ceará com Dilma
Francisco Ádila – Professor (Vanguarda Popular)
Francisco Antônio de Paulo – Funcionário Público de Saúde Municipal (OPTEI)
Francisco Carlos da Silva – Militante Popular / Praia do Futuro ll, Caça e Pesca
Francisco Chagas C. Pontes (Batata) – Servidor Público Municipal
Francisco Cristóvão Pereira de Brito – Militante/Jardim Iracema
Francisco das Chagas Carneiro – Comerciante / Bom Jardim
Francisco Erivaldo Barbosa – CEBS/Parque Dois Irmãos
Francisco Evandro S. Landim Nepomuceno – Bancário aposentado
Francisco Fernando Martins – Militante/Pici.
Francisco Francimar – Presidente da FETRACE
Francisco Glauco Assunção de Oliveira Júnior – Microempreendedor
Francisco Gomes Sobrinho – Diretor do Sindicato dos Têxteis
Francisco Ielano Vasconcelos Mesquita – Farmacêutico
Francisco Jenefferson de Oliveira Silva – Fiscal de caixa
Francisco Leandro Viana da Silva – Agente Administrativo
Francisco Lopes Bonfim – Presidente do Conselho de saúde do Hospital Gonzaguinha de Messejana (OPTEI)
Francisco Márcio Lima – Militante do PT e do movimento popular/Castelo Encantado
Francisco Nilo Alves – Militante Popular / Serrinha
Francisco Rangel Oliveira Araújo – Chapa partido é para todos e todas
Francisco Regison Gonçalves de Melo – Professor e radialista
Francisco Sergio Barros Onofre Filho – Advogado e educador popular
Francisco Vidal Fernandes Filho – Movimento Junino / Granja Lisboa
Francisco William Abreu de Souza (Will) – Servidor Público / Correios
Francy Silva Sobrinho – SAMU / Parque Santana
Franklin da Silva Nascimento – Militante do PT
Franzé Nogueira – Advogado
Gabriel dos Santos Mota – Estudante
Geilson Cajuí – Membro do Conselho Cultural e Religioso de Fortaleza
Geísa Cristina Rodrigues Salgueiro – Professora
Geraldo Accioly – Sociólogo
Geyse Anne Souza da Silva – Movimento negro e Executiva Estadual do PT
Gilberto Braga – Militante de Direitos Humanos
Gilliard Honorato dos Santos – Educador Social
Gleiciane Lima – Enfermeira
Gustavo Portela – Músico, ator, diretor, fotógrafo videomaker
Helena Barroso – Funcionária Pública Municipal e Militante do PT
Helena Oliveira – Frente de Juventude Kizomba/ Bibliotecária CRB – 3/1624
Hélio Cavalcante Donadi – Coletivo Para Todos, Coletivo Vegano Popular e Comitê Lula Livre
Helma Cristina Saboia Carvalho – Militante petista
Hemerson Carvalho Vieira – Frente de Juventude Kizomba e JPT
Ilanna Moura Azevedo Cirilo – Chapa partido é para todos e todas
Indianara Rodrigues – Movimento Mulheres em Luta do Pirambu
Inocêncio Uchoa – Juiz Federal aposentado, integrante da ABJD
Iran Evangelista da Silva Júnior – Frente de juventude Kizomba e JPT
Irineu Cardoso Lima – Associação dos feirantes do Grande Bom Jardim
Irmã Lourdes – Missionária evangélica
Isaac de Lima Mores – Vendedor e militante do PT
Israel de Assis Araujo – Servidor Público
Inácio Silva - Jornalista
Ítalo/ Olati – Pré-candidato a vereador
Iva Teixeira de Queiroz Montenegro – Professora
Ivana Magalhães – Produtora Cultural
Jacinta Pedro – Professora de Capoeira do Barroso (Jardim violeta)
Jacques Martins Antunes – Fotógrafo
Jaime Duarte Siqueira Junior – Chapa partido é para todos e todas
James Alves – Militante popular da Vila Pery
Jamile Ann Dalla Corte – Gerente comercial
Janaína Oliveira – Secretaria Nacional LGBT do PT
Jandira Maria Girão de Almeida – Aposentada
Jardel da Silva – Militante da Cultura / Grande Bom Jardim
Jefferson Wilkinson Ribeiro Balan – Professor substituto do município
Jeovana Oliveira – Militante do bairro Damas
Jéssica Coelho Nepomuceno – Instrutora de Lutas do Sítio São João
João Abreu Lima Júnior – Cirurgião dentista
João Aglaylson Figueredo Barbosa – Militante do PT e assessor parlamentar
João Batista Almeida Júnior – Militante do PT
João Cesário Neto – Advogado, mestre em políticas públicas
João de Sousa Martins – Militante da Juventude
João Eduardo Brasil Rass Gonçalves – Consultor em Inclusão Social e aprendiz de cineasta
João Evangelista Monteiro da Silva – Policial Militar (OPTEI)
João Wilson Damasceno – Produtor Cultural
Joaquim Marques Cavalcante Filho – Militante do PT de Coreaú
Joatan Freitas – Pré-candidato a vereador e membro do Diretório Municipal do PT
Joelia – Presidente dos Sindicatos Penitenciários
Joélia Amora Barreto – Técnica em Segurança do Trabalho (OPTEI)
Jonas Dezidoro da Silva Filho – Vice-presidente PT Ceará
Jorge Luiz Freire Ribeiro – Supervisor (OPTEI)
Jorge Luiz Nobre Mota – Professor e agente socioeducativo
José Airton Cirilo – Deputado Federal
José Darlan Parente de Andrade – Militante petista
José Erandy Vieira de Sousa – Projeto Uns por Todos/Barra do Ceará
José Flávio Bezerra Montenegro – Engenheiro da PETROBRAS
José Holanda de Andrade – Militante do PT
José Holanda de Andrade – Militante petista
José Lenimberg Almeida – Professor
José Marcondes Costa – Empresário
José Maria – Presidente do Sintoice
José Maria Tabosa- Presidente do Conselho Local de Saúde/Pirambu
José Océlio Ferreira Farias – Arquiteto / Damas
José Pedro Moreira Neto – Cabelereiro
José Roberto de Oliveira Pinho – Professor
José Wellington Teixeira – Professor aposentado
Josefa Paulo Fialho Saraiva – Professora
Josefa Rodrigues de Castro- Quintino Cunha
Josivaldo Beserra Delfino – Advogado
Jovanil Oliveira – Professor, especialista em gestão estratégica em políticas públicas
Júlia de Toledo Barros – Professora
Júnior Carvalho – Pré-candidato a vereador
Jurandi Moreira Tabosa – Pirambu
Kaiser Silva – Tesoureiro do Sintarc
Kalina Lopes Carneiro – Médica, feminista
Karine Figueiredo – Administradora
Karla Karan – Assistente social
Katia Juliana de Sousa – Reisado Nossa Senhora da Saúde / Varjota
Kelvin Cavalcante – Militante do Coletivo Enegrecer e membro do Diretório Municipal PT Fortaleza
Lanna Kelly de Paula – Diretório Municipal do PT de Fortaleza
Laricia Keury – Pré-candidata a vereadora e assistente social
Leide Daiana da silva Fernandes santos – Artesã / Bom Jardim
Leilane Macambira Normando – Jornalista, servidora pública e feminista
Léo Porto – Produtor Cultural
Leonardo Furtado Sampaio – Professor, poeta e escritor.
Letícia Duarte Silva – DCE Unilab e Frente de juventude Kizomba
Letícia Ramos Ferreira (Margot) – Frente de Juventude Kizomba
Liana Bazan – Diretório Municipal – Fortaleza
Liduína Marques – Diretora do Sindbeleza
Liliane Araújo – Vice-Presidente do PT Fortaleza e membro do Diretório Nacional
Lívia Maria Soares Monteiro – Assistente Social
Lívia Vasconcelos – Frente de Juventude Kizomba/ Vice-presidente da ACES
Lourdes Goes – Professora aposentada da URCA, feminista
Lourdinha – Presidente do sindicato dos correios, Pré-candidata a vereadora
Luana Ângelo – Militante LGBT, Coordenadora Geral do DCE-JML IFCE
Luana Valin – Pré-candidata a vereadora
Lucas Almeida – jornalista
Lucas Matheus Sobrinho de Lima – Frente de juventude kizomba
Lucia Vieira da Silva – CEBS Jangurussu/Palmeiras
Luciana Freire Castelo Branco – Professora
Luciano Barbosa Agente de saúde e militante petista
Luciano Herman Souza Almeida – Dirigente Sindical dos Servidores de Fortaleza
Lucivânia Silvia – Liderança Popular / Granja Portugal
Luiz Edenivaldo Silvano – Empresário
Luiz Edgard Cartaxo de Arruda Júnior- Memorialista
Luiz Flávio Mendes de Carvalho – Historiador, Presidente do Diretório Municipal de Senador Pompeu
Luiza de Marilac Brito Rocha – Militante do PT
Luiza Matos – Barra do Ceará e Otávio Bonfim
Luma Andrade – professora da Unilab
Luzia Silva – Militante do PT
Mãe Kelma de Iemanjá – Renafro, Rede de mulheres axé saravá, núcleo de povos de terreiro do PT
Mãe Tecla de Oxóssi – UECUM (União Espírita de Umbanda do Ceará)
Manoel Evangelista Lima (Evangelista) – Núcleo do PT do Grande Bom jardim
Manoel Johnson Sales Sousa – Sociólogo, Movimento Dias de Luta / Conjunto Ceará
Marcelo – Bom Jardim – Pré-candidato a vereador
Marcelo Natividade – Professor da UFC
Marcelo Vieira Luz – Pequeno empresário
Márcio Caetano – Pré-candidato a vereador
Márcio Silva de Oliveira – Técnico de Segurança do Trabalho (OPTEI)
Marcio Sousa – Pré-candidato a vereador
Marco Alexandre Barbosa Rodrigues – Gerente comercial da Simplifique Home Center
Marcos Alexandre Nascimento da Silva – Diretor de CENA e iluminador cênico, diretor de área Técnica e formação do Sated CEARÁ (Sindicato dos Artistas)
Marcos Arcanjo – Movimento Negro Unificado e militante popular da Granja Portugal
Marcos César Rocha Sousa – Diretório Municipal – Fortaleza
Marcos Junho Barbosa de Oliveira – Secretário de Organização e membro do Diretório e Executiva do PT de Icapuí
Marcos Labouré – Perfumista e militante do PT
Marcos Pereira – Tesoureiro da FETRACE
Marcos Vinícius Costa – Médico
Marcos Vitoriano Soares Mendes – Músico
Margaret Gondim Cabral – Militante do PT
Maria Adellane Lopes Matias – Assistente Social IFCE
Maria Alcenir de Lima Santana – Vila Velha
Maria Auxiliadora – Militante Ambiental da Lagoa de Itaperaoba/ Serrinha
Maria Célia Rodrigues da Silva – Dona de casa
Maria da Penha Brito – Jardim Iracema
Maria da Penha Lima – Militante popular e direção da Associação Frei Humberto / Farias Brito
Maria das Graças Costa da Silva – Militante sindical / Genibaú
Maria de Fátima Aristeu – Bonsucesso
Maria de Jesus Alves (Dona Dijé) – Militante Popular / Serrinha
Maria Denise Cavalcante Silva – Técnica de informática
Maria do Socorro Alves de Lima – Presidente da Associação Frei Humberto / Farias Brito
Maria Edite Silva – Militante do PT, aposentada
Maria Ednuzia Gomes Moreira – Presidenta do Conselho de Saúde do Frotinha de Messejana
Maria Erenice – Pré-candidato a vereador
Maria Eugênia de Queiroz Ferreira Lantzsch – Economista
Maria Francineide da Silva Araújo – Conselho da Areninha/Pici
Maria Helena Marques Moreira – Aposentada
Maria Heloisa Cunha da Silva – Pastoral do batismo / Bom Jardim
Maria Inês Pinheiro Barros – Dona de casa
Maria Janaína – Educadora de futebol Feminino do Santa Filomena
Maria José Peixoto – Diretora da Associação SOLIART
Maria Josenira Pedrosa Cavalcante – Turismóloga
Maria Kelly Farias Alves – CMP/Vila Velha
Maria Kellynia Farias Alves- Professora da rede pública
Maria Keylla Farias Alves Nascimento – Conselho Regional de Saúde/Barra do Ceará
Maria Leopoldina de Lavor Delgado – Mestranda em Ciências Política pela UFPI e militante da MMM
Maria Monica V. Rodrigues – AMEM: associação de mulheres em movimento-CMP/Santa Filomena
Maria Nadir Chagas – Militante Popular e Economia Solidária – Presidente Kennedy
Maria Neyara – Pré-candidata a vereadora
Maria Ozaneide de Paulo – Secretaria Nacional de Mulheres da CONFETAM
Maria Regiane da Silva – Vendedora
Maria Regilene Sousa de Albuquerque e Silva – Militante petista/ Carlito Pamplona
Maria Rosenir Lima da Silva – Sapiranga
Maria Solidade Ribeiro – Diarista (OPTEI)
Maria Sônia Gomes do Nascimento – Servidora pública e militante do PT
Maria Uberlândia Agostinho Figueredo – Gestora de RH e Militante do PT
Maria Zeneide de Alencar – Movimento Pró-Parque / Serrinha
Maria Zildete dos Santos – (SINTRAFCE) Sind. dos Empregados em Empresas Funerárias e Cemitérios particulares do Ceará
Maria Zuíla Araújo – Chapa partido é para todos e todas
Mariana Abreu – Empresária
Mariana Vieira Lacerda – Executiva Municipal do PT, Kizomba, Marcha Mundial das Mulheres
Marília Cristine – Psicologia/ Serviço Social
Marília Gbrielle Monteiro Barreto – Militante do PT
Mário Amílcar Santos – Comerciário
Mário Magno de Oliveira Silva – Diretório Estadual do PT
Marneide Aires – Professora e militante petista
Martônio Mont’Alverne – Advogado, professor UNIFOR
Mary Ane de Lima Santana – Conselho de Saúde da UPA/Vila Velha
Matheus Tomaz da Silva – Diretor de combate ao racismo do DCE da UFC
Martinia Monteiro da Silva – Vendedora ambulante
Maurício Lima – Bancário aposentado, jornalista
Mauro Cavalcante – Pré candidato a vereador
Mayra Gabriel Moraes Seixas – Frente de juventude Kizomba
Mikael Lucas Olivindo Patrício – Op. De loja em rede de farmácias
Mila Landin Dumaresq – Servidora Pública
Milton César- Gamac / Serviluz
Mitchelle Benevides Meira – Membro do Diretório Municipal do PT, Secretária estadual LGBT, membro da Secretaria Nacional LGBT do PT
Mônica Oliveira – Presidente do Instituto Arte de Fazer
Morgana Dias Chaves – Assistente Social, ativista LGBTI+
Nádia Rapôso Alves – Analista Judiciário
Nadir Chaves – Coletivo Nacional de Mulheres do PT
Nágela Rapôso Alves – Socióloga, mestre em políticas públicas
Nailton Marques – Executiva Estadual
Narciso Ferreira Mota – Militante ambientalista e militante do PT
Natyelle Martins da Silva – Marcha Mundial das Mulheres
Naura Santos de Oliveira – Técnica da Coordenadoria dos Direitos Humanos do Ceará
Nayra Costa – Cantora
Nazaré Antero – Coletivo feminista Mulheres do Ceará com Dilma
Nhirla Tais Menezes Serrão – Professora
Nícolas Almeida Ayres – Militante do PT
Nilton Emanoel – Movimento Pró-Parque / Serrinha
Niveamara Sidrac Lima Barroso – Servidora Pública Estadual e psicóloga
Noêmia Viana de Jesus – Carlito Pamplona
Norma Randemark – Enfermeira e militante do PT
Oliveira – Tesoureiro do Sindicato dos Comerciários de Fortaleza
Pamela Layla F. Barbosa – Frente de Juventude Kizomba/ Coord. De Grêmios do DCE JML IFCE
Paola Bracho (Hemetério Albuquerque Paulino) – Ativista LGBT do Ceará
Paraíba Medeiros – Artista
Paula Vieira de Oliveira – Diretório Estadual do PT, Marcha Mundial das Mulheres
Paulo Assunção – Pré-candidato a vereador, produtor cultural, Diretório Municipal de Fortaleza (OPTEI)
Paulo Coelho – Ativista de Direitos Humanos
Paulo Juarez Alves Gomes – Sapateiro e sindicalista
Paulo Ney Brasileiro Garcia (Ney) – Comitê Lula Livre e militante do PT/ Henrique Jorge
Paulo Ricardo Andrade da Costa – Estudante e ativista LGBT
Paulo Roberto Barreto Leite – Corretor de automóveis, militante do PT e pré-candidato a vereador
Paulo Verlaine – Jornalista (Vanguarda Popular)
Pedro Paulo Sampaio Carneiro – Estudante Universitário
Priscyla Mendes Vieira – Auxiliar administrativo
Professor Acaccio – Pré-candidato a vereador
Professor Clodomir – Pré-candidato a vereador
Professora Carlene – Militante da Educação / Cidade dos Funcionários
Professora Rejane Pinheiro – Pré-candidata a vereadora
Rafaelle Alves Silva – Militante do PT
Raimunda Creusa Araujo dos Santos – Aposentada
Raimunda Felix de Oliveira (Rani Felix) – Militante petista
Raimundo Barbosa Moura – Centro Comunitário da Granja Lisboa
Raimundo de Brito Neto – Professor, militante do PT
Raimundo Firmino Nascimento – Associação Terra Prometida/Barra do Ceará
Raimundo Nonato Lima Ângelo – Secretário de Formação da Executiva Estadual do PT
Raimundo Rodrigues Alves – Comerciante
Raimundo Veras dos Santos – Pré-candidato a vereador
Raquel Regis – Estudante (Vanguarda Popular)
Raquel Viana – Assistente Social, feminista antirracista, militante da Marcha Mundial das Mulheres
Rayanne Moreira Matias – Estudante
Reginaldo Pereira da Silva – Militante de Direitos Humanos
Reginaldo Silva Dias – Igreja Quadrangular / Genibaú
Renan de Maria – Rapper, Militante da Cultura do Antônio Bezerra
Renata – Coordenadora do Sindicatos dos Sapateiros
Renata Freire – Cineasta, militante feminista da Marcha Mundial das Mulheres e da JPT
Renata Freire – Marcha Mundial das Mulheres
Rhuan da Silva Nunes – Frente de Juv. Kizomba/ Coord. De Assuntos estudantis do DCE JML-IFCE
Rilton Diego da Silva – Motorista (OPTEI)
Rivania Rodrigues – CANDACES BR (Rede de lésbicas, bissexuais, negras feminista e autônoma)
Roberto Freire Junior – Advogado
Roberto Marcio Dutra Gomes – Membro do Diretório Estadual do PT
Rocicleide Ferreira – Mestra em políticas públicas
Rodrigo Amaral – Administrador
Romário D’angelo – Secretário Estadual de Juventude do PT
Rômulo Miranda de Lavor – Advogado
Ronny Câmara – Educador social e militante do PT
Rosemary Guimarães de Araujo Barros – Pedagoga
Rosivalda Assunção – Artesã, Diretório Municipal (OPTEI )
Ruinaldo Lopes de Souza – Associação de Moradores Maria Jose de Souza/ Castelão
Rusoalpe Medeiros de Brito – Professor
Sandra Maria Alves Ribeiro – Professora e supervisora de Escola Pública Municipal de Fortaleza
Scheyla Maria Ribeiro Falcão – Militante petista
Sebastião Matias – Professor (Vanguarda Popular)
Silvana Leitão – Pré-candidata a vereadora
Silvania Vieira – Marcha Mundial das Mulheres/ Parque Santana
Sílvia Maria de Freitas Souza – Professora (OPTEI)
Simone Fernandes – Militante da Educação e professora / Cidade dos Funcionários
Simone Holanda – Historiadora, feminista
Sofia Reagon – Ativista LGBT
Sônia Holanda Reis da Costa – Funcionária Pública e militante do PT
Ademar – Movimento Pró- Parque / Serrinha
Zé Ferreira – Militante Popular da Barra do Ceará
Stênio da Silva Torres – Autônomo
Tales Carneiro de Sousa Amador – Músico / Bom Jardim
Talve Jhonson – Tesoureiro do SindValores
Teles Cavalcante – Bancário e mestre em sociologia
Teresa Dantas – Psicóloga
Tertuliano Medeiros- Músico (OPTEI)
Thais Costa – Percussionista
Thaís Stephane Gomes Alexandria – Estudante
Thiago Cavalcante Santos – Administrador
Thiago Diniz – Professor de Capoeira da Messejana
Tiago Celestino – Secretário Geral da Central dos Movimentos Populares
Tiago Gimenes – Estudante de Serviço Social, militante petista
Ticiana Studart – Secretária de Movimentos Populares da Executiva Estadual do PT Ceará
Uirá Porã – Hacker
Valdecir Rebouças – Empresário
Valdenio Aguiar – Presidente do Sintraafor
Vânia Maria Oliveira – Marcha Mundial das Mulheres/ Parque Santana
Vânia Vieira – Produtora Cultural, comitê de cultura Lula Livre
Veridiana Martins – Administradora
Verônica Costa – Pré-candidata a vereadora
Verônica Nascimento da Costa – Projeto Travessia e militante da CMP
Vicente Carneiro da Silva – Prof. e militante das lutas educacionais / Bom Jardim
Vicente Crisóstomo – Professor UFC
Vicente de Paula – CEBS / Belém
Vilena Soares – Artesã, militante petista
Vilma Torres – Assistente social, servidora do Hospital Universitário Walter Cantídio – UFC
Vitória Gonçalves Pereira – Frente de Juv. Kizomba, diretora de assistência estudantil do DCE JML
Waldemir Catanho de Sena Júnior – jornalista, membro da Executiva Municipal do PT
Waliton Oliveira – Professor de Jiu-jitsu / Messejana
Weibe Tapeba – Diretório Estadual do PT, liderança indígena
Welia Matias Rebouças – Psicopedagoga, militante ambientalista e feminista
Wellington – Presidente do SindValores
Wellington do Nascimento Moreira Júnior – Cientista Social
Wellington Senna – Jornalista
Whallison Rodrigues Gomes – Secretário de Formação Política do PT de Pentecoste
Willa Lima – Produtora Cultural
Willian Lima- Técnico em eletrônica (OPTEI)
Wlademir – Presidente do Sindviarios
Wládia Fernandes Verçoza – Jornalista, secretária de Formação da Executiva Municipal do PT
Wladiza Mesquita – Produtora Cultural, atriz, presidente da ASSOCIART
Wlisses Ferreira Lima – Mestre de Capoeira do Conjunto Ceará
Xauí Peixoto – Produtor e gestor cultural
Zaneir Gonçalves Teixeira – Advogada e professora universitária
Zélia Franklin de Albuquerque – Militante ambientalista e militante do PT
Zélia Tabosa – Associação dos Moradores da Comunidade Marrocos / Bom Jardim
Zilderli Sousa – Assistente Social
Zuleide Gurgel Ferreira – Autônoma e militante petista
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Luta de classes na Era da Depressão

11:44 0
Não é preciso entender muito de psicanálise para perceber que vivemos na Era da Depressão. Sim, nossa sociedade doente está adoecendo os corpos e as subjetividades das pessoas. Sobretudo das mulheres, sobretudo do povo negro e, principalmente, da juventude. 

Quem são estes sujeitos adoecidos? Tenho algumas hipóteses. A primeira e óbvia é que nossa vida não está nada fácil. Falo como mulher negra, jovem, nordestina, que luta para encontrar um lugar neste século, diante da tão árdua e primordial tarefa de sobreviver. Estar viva é artigo de luxo em nossa sociedade, em nosso país, pois ele é genocida.

Esse é o primeiro dado objetivo: as violências institucionalizadas marcam nossos corpos, levam nossas vidas e não teriam como não afetar inescrupulosamente as nossas subjetividades. Violência é cotidiano para as mulheres negras. Somos vilipendiadas pelo patriarcado da forma mais cruel e discreta. Mesmo assim não desistimos e seguimos. Driblando os estupros, o assédio ininterrupto, a clandestinidade das escolhas mais íntimas, a criminalização, o isolamento político, o silenciamento, os tapas, as dores, os remédios, as tentativas de nos dizer que somos loucas por querermos ser quem queremos ser: pessoas livres.

Recentemente, tive a oportunidade de mergulhar a fundo na história das Mães de Maio, movimento de mães que perderam seus filhos para a violência policial e que lutam por um novo sistema de segurança, justiça, e, mais ainda, pela memória dos mortos e pelo direito à vida dos vivos. Muita gente conhece e reconhece a garra destas mulheres que vão para a frente dos camburões e enfrentam de peito aberto as balas de canhão para afirmar a dignidade inabalável de seu povo. 
O que quase ninguém sabe é o que a maioria delas é abandonada pelos seus maridos depois que perdem seus filhos e arrebatada por um profundo isolamento social, pois, quase ninguém suporta a amargura que elas levam consigo durante o luto. Quase ninguém sabe que estas mulheres adquirem câncer e enfrentam sozinhas a dor da perda, o medo da morte, os desafios de manter uma família durante o luto, o constrangimento violador da Justiça, que força estas mulheres ter que “provar” que seus filhos não mereciam morrer, que no Brasil não tem pena de morte, ou não deveria ter.

A juventude também padece destas psicopatologias que todo dia a ciência arruma um termo diferente para classificar e medicar. A indústria farmacêutica solta fogos, o narcotráfico diz amém, a polícia diz também e a indústria cultural se apropria da narrativa suicida para vender a viabilidade econômica do futuro. Num mundo extremamente monetarizado, com uma riqueza extremamente concentrada e um contingente populacional revoltado, uma massa precarizada e amontoada nos conglomerados das grandes cidades cinzentas é, para os detentores do poder, como uma “bomba relógio prestes a explodir”. Por isso é melhor mesmo que estes jovens indecisos, angustiados com as incertezas de nosso tempo, se joguem de pontes, cortem seus pulsos, se entupam de remédios e morram solitários, pois neste mundo não haverá mesmo espaço para nós.

Quero voltar à pergunta título. Como, no meio desta insustentável dureza de viver, conseguiremos nos organizar politicamente? Como nos manteremos firmes e fortes na batalha por um mundo melhor, ter condições de elaborar, formular o programa de revolução que nos guiará nas próximas décadas na guerra contra o neoliberalismo? Tenho algumas pistas.

Precisamos incorporar mais o jeito do povo negro e das mulheres de fazerem política. E, aqui, nem estou falando dos movimentos organizados. Meu foco é num mergulho profundo sobre as formas de sobrevivência do povo brasileiro, que tem em suas raízes os povos escravizados vindos de África, que sobreviveram e conseguiram se manter soberanos, mesmo sendo alvo do maior laboratório de crimes da humanidade: a escravidão. E ressalto o papel das mulheres como central na construção dos laços que fizeram este povo atravessar os séculos de martírio e chegar até aqui onde estamos, lutando bravamente.

A estrutura política masculina e embranquecida muitas vezes atinge a nossos corpos, enquanto mulheres, negros e jovens, de uma forma muito perniciosa. Nos desumaniza, nos embrutece. A dureza da vida também faz isso conosco todo o tempo, e precisamos compreender o amor como um exercício revolucionário, contra-hegemônico à cultura de ódio, de competição, de matança imposta pelo capitalismo, pelo racismo, pelo patriarcado. Não estou falando aqui de atitudes individuais: estou falando da sistematização desta dimensão da luta de classes nos marcos organizativos de nossa luta diária. Ou não resistiremos, sucumbiremos ao suicídio, às armadilhas do capitalismo, à sistemática anestesia social dos ansiolíticos e antidepressivos.

Chorem juntos e juntas até a dor semanal extravasar total; façam isso de novo na semana que vem. Saiam para se divertir juntos ao menos uma vez no mês para lembrar e se convencer mais uma vez de que lutar vale a pena pois vocês já são a chama da transformação, são agentes de amor, empatia e igualdade. Sem isso, não chegaremos onde planejamos chegar. Não chegaremos vivas.

Bruna Rocha 

Adaptado de: https://fpabramo.org.br/2017/04/11/luta-de-classes-na-era-da-depressao/#bruna-rocha
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A saúde na ditadura e antes do SUS

11:41 0
Datas comemorativas são um convite irrecusável para balanços. E, no caso do Sistema Único de Saúde, há muito o que analisar. Mas será que dá para avaliar uma política pública sem refazer o caminho e comparar com o que existia antes da sua criação?

Nessa reportagem, a Poli convida você a embarcar numa máquina do tempo. Essa viagem vai nos levar a quatro, cinco décadas atrás. Vamos olhar para números e casos, pesquisas e relatórios, um conjunto de histórias que ajudam a relembrar (para aqueles que viveram) e despertar (para aqueles que nem eram nascidos) como era a saúde no Brasil sem SUS.

Que país era esse?
Uma vez os ponteiros ajustados, nosso desembarque acontece em um período muito específico da história nacional: a ditadura empresarial-militar. “Em 1964 houve um golpe. Os militares foram usados pelas classes dominantes brasileiras para interromper o debate que se espalhava em toda a sociedade pelas reformas de base – reforma agrária, reforma tributária, reforma urbana mas também reforma sanitária. Foram 21 anos de ditadura. E, sob a ditadura, o país viu acirrarem seus contrastes e desigualdades”, contextualiza o médico sanitarista Nelson Rodrigues dos Santos, o Nelsão, professor aposentado da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Mas durante algum tempo, os problemas sociais não ficaram tão evidentes para uma parte da sociedade. As coisas começaram a mudar nos anos 1970, que marcam o ápice e o fim do chamado ‘milagre econômico’. Isso porque, a partir de 1968, o PIB deu um salto – chegando a um crescimento de 14% em 1973. “Havia uma oferta expressiva de dinheiro lá fora, e o Brasil pegou muitos empréstimos. Mas com o primeiro choque do petróleo começa a crise”, situa o historiador Carlos Fidelis Ponte, da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz). E, com a crise, chegaram os sinais de que o ‘milagre’ não tinha sido assim tão milagroso. Com o fim do ciclo de crescimento, os problemas da ditadura foram ficando mais visíveis para a sociedade à medida que o próprio governo ia se enfraquecendo. Para início de conversa, os indicadores de saúde estavam piorando. “E piorando muito”, reforça Carlos.

“No município de São Paulo, em 1973, 90 crianças morreram a cada grupo de mil nascidas vivas. Em 1961, ocorreram 60 óbitos por mil nascidos vivos, o índice mais baixo do século”, escreveu Luiz Eduardo Soares, pesquisador do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento (Ibrades), num ensaio que ocupou os dois primeiros números da ‘Saúde em Debate’, a revista do Centro Brasileiro de Estudos da Saúde (Cebes), criado em 1976. No país, então com pouco mais de 90 milhões de habitantes, ele destacou: “Nos últimos cinco anos [1972-76] em todo o Brasil, 1.417.500 crianças morreram por causas evitáveis, associadas à desnutrição e à falta de saneamento, como difteria, coqueluche, sarampo, tétano, poliomielite e doenças diarreicas. O total de óbitos é igual à população de Belo Horizonte, a terceira cidade do país”. Como efeito de comparação, em 2015 a taxa de mortalidade infantil foi de 13,8 a cada mil nascidos vivos.

O texto traz mais números assustadores: 72% dos que morriam no país tinham menos de 50 anos e, destes, 46,5% eram crianças menores de quatro. Em comparação, na Suécia, na Inglaterra e nos Estados Unidos, apenas 20% dos óbitos ocorriam nas faixas etárias inferiores a 50 anos. Doença de Chagas, peste bubônica, tuberculose, hanseníase, febre amarela, malária, filariose, leishmaniose… A lista prosseguia – e cada enfermidade exibia indicadores piores que as anteriores. Mas, para além da relação simples de causa e efeito, que liga pobreza à doença, os sanitaristas da época estavam tentando mostrar que o quadro epidemiológico brasileiro não tinha nada de automático ou natural.

“A ideia do círculo vicioso entre pobreza e doença é velha”, escreveu David Capistrano em 1977. “Mas sobreveio o movimento de março de 1964, e depois de alguns anos, o ‘milagre’. Aquilo que representava o oposto da ‘pobreza’ (…) O PIB crescia, o Brasil ficava mais rico. A ser verdadeira a teoria do ‘círculo vicioso’, ele mesmo teria sido rompido em algum ponto e a nova dinâmica do enriquecimento deveria trazer o recuo da doença, expresso nos indicadores”, argumentou o médico. E concluiu: “Não basta o crescimento das forças produtivas, o aumento da produtividade do trabalho, da riqueza nacional disponível. É preciso verificar como se deu esse crescimento e a quem ele beneficia. Só os ingênuos ou os velhacos acreditam que beneficia ‘a todos’”.

A “política do abandono”, que segundo Carlos Ponte sempre foi a forma como as elites dirigentes do país lidaram com o povo, se atualizou nos marcos do capitalismo do século 20. E tocada por um governo autoritário. “Nos anos 1970 isso gritava porque a repressão era forte. Os sindicatos estavam amordaçados. Havia repressão política aos movimentos estudantis, aos movimentos políticos, aos partidos. Então a exploração se intensificou muito”, explica o historiador.

Foi nessa época que o Brasil protagonizou um dos maiores movimentos populacionais da história moderna: o êxodo rural. Isso porque o governo queria um crescimento econômico rápido. E escolheu o setor agrário para atingir o objetivo. Fez projetos de “ocupação” do Cerrado, expulsando camponeses e populações tradicionais que lá viviam. “Fez um grande investimento em subsídios para o campo, na compra de máquinas e insumos, por exemplo. E isso gerou a expulsão dos trabalhadores, acelerando a migração principalmente para os grandes centros do Sudeste do país”, completa Carlos. Entre as décadas de 1960 e 80, 27 milhões de pessoas que viviam na zona rural foram para as cidades. E se alojaram nas periferias e favelas, locais sem saneamento, sem água encanada, muitas vezes sem luz, que ofereciam condições perfeitas para a proliferação de doenças. Iam vender sua força de trabalho barato – isso se conseguissem emprego. “Os migrantes chegavam às cidades completamente desamparados. E da forma como a saúde estava organizada, a cidadania estava atrelada à carteira de trabalho”, afirma o pesquisador.

A (des)organização da saúde
“Os serviços de saúde no Brasil atendem basicamente às necessidades dos grupos sociais de maior poder aquisitivo. São serviços voltados para a recuperação e não para a prevenção, concentram-se na solução de problemas degenerativos que afligem as camadas mais bem situadas na escala social, quando as doenças infecciosas ainda são responsáveis por grande parte da mortalidade e morbidade da população brasileira.

Estes serviços têm ainda uma tendência marcante à sofisticação e à complexidade. Respondem aos interesses dos produtores de insumos, de equipamentos e aos produtores de serviços. A população, neste contexto, deixa de ser sujeito para ser mercadoria manipulada pelas forças de mercado”. Essa descrição abre uma reportagem do jornal Folha de S. Paulo, em 1977. A crítica pode soar estranha vindo de quem vem mas, na época, a irracionalidade do sistema de saúde brasileiro tinha se tornado patente até para a mídia comercial.

Você provavelmente já ouviu falar que, a partir dos anos 1920, o país foi desenhando um modelo em que, primeiro, algumas categorias (ferroviários, marítimos etc.) foram conseguindo esquemas de assistência à saúde e benefícios como aposentadoria. Com o passar do tempo, todos os trabalhadores inseridos no mercado formal tinham direito a fazer consultas, exames, cirurgias. Tudo isso estava sob o guarda-chuva do Ministério da Previdência e Assistência Social que, no período militar, teve duas instituições que se ocuparam da saúde: o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), criado em 1966 e substituído em 1974 pelo Instituto de Assistência Médica da Previdência Social (Inamps). Você também já deve saber que as pessoas que não tinham carteira assinada não tinham acesso a consultas, exames, cirurgias. Mas, na verdade, as coisas eram um pouco mais complexas do que isso.

Um mito importante a ser quebrado é que todos que tinham carteira assinada usavam, necessariamente, a previdência – e que eram iguais. Isso porque embora a classe média tivesse carteira assinada e pudesse usar a medicina previdenciária, ela pagava. “Era totalmente natural”, diz a pesquisadora Ligia Bahia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “A classe média nunca foi atendida pelo setor público. Ela pagava consulta particular, pagava os procedimentos, que eram muito mais baratos. As pessoas pagavam parto, cirurgia”. Além disso, a maior parte dos previdenciários eram pobres. Segundo os cálculos de Luiz Eduardo Soares no texto do Cebes, 56% dos brasileiros recebiam um salário mínimo ou menos e 19% entre um e dois salários mínimos. Essa situação geral também se refletia no mercado formal de trabalho. “A grande maioria daqueles que tinham carteira ganhavam um salário mínimo. Esses previdenciários pobres tinham muita dificuldade de serem atendidos na Previdência”, conta Nelsão. As filas do Inamps (como a da foto na página 14) eram figurinhas carimbadas nos jornais (assim como as do SUS são hoje).

Um segundo engano comum é pensar que a população sem carteira só tinha atendimento se recorresse à filantropia. “O que a gente tinha? Algumas unidades públicas que atendiam a todos. Os hospitais universitários, que atendiam a todos, alguns como indigentes, outros como medicina previdenciária. E as filantrópicas, que também atendiam a todos, embora na condição de indigentes”, explica Ligia, que cita ainda duas iniciativas – o Programa de Interiorização de Ações de Saúde e Saneamento (PIASS) e a Fundação SESP – que, de alguma forma, levaram ações de assistência aos grotões do país.

Tanto a pesquisadora quanto Nelsão ressaltam que a palavra “universal” na saúde não foi invenção dos sanitaristas, mas dos militares. “O ministro da previdência falava em universalização da saúde. Em 1974, eles universalizaram o atendimento de emergência nos PAMs, os postos de atendimento médico que levam a sigla até hoje. O que não era universal era o atendimento nos serviços privados contratados”, explica ela, que pondera que esses serviços, no entanto, eram a maioria. E neles só quem tinha carteirinha podia ser atendido.

Isso não significa que o país não fosse marcado por uma dualidade. Havia, sim, gente considerada de ‘segunda classe’. E uma epidemia, em especial, demonstra o beco sem saída da saúde em tempos de autoritarismo no país do “ame-o ou deixe-o”. “Os governos procuravam não mostrar nossos problemas”, conta o epidemiologista Moisés Goldbaum, da Universidade de São Paulo (USP). E, assim, entre 1970 e 1974, a ditadura ocultou uma epidemia de meningite no município de São Paulo. “Os ditadores levaram praticamente quatro anos para tomar atitudes efetivas para controlar a epidemia. Enquanto a doença estava atingindo apenas a periferia, eles ocultaram. Mas na medida em que foi chegando no centro da cidade, ou seja, começou a criar problemas onde se concentra a classe média, aí sim, gerou um pânico social muito grande que obrigou as autoridades a tomarem alguma medida”, relembra.

Como ainda não existia vacina, a medida mais importante era ter transparência, chamar atenção para o problema e garantir uma estrutura hospitalar para onde os doentes pudessem ser encaminhados, explica Moisés, que detalha: “Não foi tomada nenhuma providência, tudo foi abafado. Os jornais foram censurados. As pessoas com meningite ficavam circulando pela cidade, facilitando a disseminação da doença. E isso foi num crescente até que uma epidemia, que poderia ter sido evitada, chegou a níveis importantes e significativos”.

Além disso, como a reportagem da Folha resumiu, o setor privado encontrou na medicina previdenciária o ambiente ideal para prosperar sem riscos. Muitos escândalos de corrupção explodiram na época, mostrando como empresas buscavam fraudar a Previdência mentindo sobre o número de atendimentos que faziam. O quadro geral era de insatisfação.

A ‘mão para a boca’ que engoliu a saúde
A Constituição de 1969 definiu que a iniciativa estatal na área econômica era de caráter complementar à iniciativa privada. “O governo militar foi superimportante para a privatização em todas as áreas. Na saúde, as empresas eram da mão para a boca, como se diz. Eram médicos do trabalho que faziam suas empresinhas. Com o regime militar, eles se tornam capitalistas no sentido literal do termo: saem do esquema de autofinanciamento e passam a tomar empréstimos e créditos do governo”, afirma Ligia Bahia. De acordo com ela, isso aconteceu “com clareza, com determinação” porque na cabeça dos militares quanto mais empresas o Brasil tivesse, melhor. “Esse era o discurso: mais empresas, mais mercado, equivaliam à modernização. E esses médicos souberam navegar muito bem nessa conjuntura”, diz.

A demanda era garantida pelo Estado. O INPS e, depois, o Inamps operavam basicamente através de convênios com a rede privada ao invés de investir na ampliação e qualidade da rede própria de serviços. De acordo com o estudo pioneiro de Hésio Cordeiro sobre o setor privado, as internações nos hospitais próprios da Previdência, que já representavam uma parcela ínfima do total – 4,2% em 1970 –, minguaram ainda mais. Em 1976, eram de 2,6%. Os 41 hospitais do Inamps fizeram 253 mil internações frente aos 6,28 milhões do setor conveniado em 1978. Nesse ano, o privado respondeu por 53% das consultas médicas pagas pelo Inamps.

“A equação é simples: os militares criaram na Caixa Econômica Federal uma coisa que se chamava Fundo de Apoio à Assistência Social, o FAS. E esse dinheiro foi financiar a construção de hospitais. E tinha o Inamps, que era para pagar a assistência médica. Então o dinheiro público, pelo FAS, financiava a construção de hospital e o dinheiro público, pelo Inamps, contratava os hospitais que iam ser construídos para prestar serviço para a Previdência. Isso foi, realmente, uma coisa monumental”, resume Nelsão. Detalhe: “O FAS na educação beneficiou as escolas públicas. E na saúde, não”, emenda Ligia.

Com recursos da loteria esportiva, o Fundo financiou também ampliação e compra de equipamentos. A linha de crédito destinou, até 1979, sete bilhões de cruzeiros para a saúde, o equivalente, hoje, a cerca de R$ 1,545 bilhão (valores corrigidos pelo IPCA). De acordo com um cálculo feito por Hésio Cordeiro em 1983, 70% desses recursos ficaram concentrados em hospitais particulares de apenas dois estados: Rio de Janeiro e São Paulo. “Virou um grande negócio mexer com saúde”, define Carlos Ponte, que destaca que as instituições lucrativas se multiplicaram: entre 1964 e 1974, esses estabelecimentos passaram de 944 para 2.121. Um crescimento de mais de 200%.

“A maior parte dos recursos do governo federal estavam na Previdência e fluíam para o setor privado. A ponto de o presidente da Federação Brasileira dos Hospitais declarar em 1975 que o Estado não tinha que se meter com assistência. Tinha que se ocupar de epidemias e problemas que não eram de interesse do mercado, como lepra, tuberculose, etc.”, lembra Carlos. De acordo com o historiador, o Ministério da Saúde não tinha orçamento praticamente. No período que vai de 1970 até 1984, a participação da pasta nas despesas gerais da União jamais ultrapassou 1,82%. A atenção médico-hospitalar abocanhou, em 1978, 86,48% dos programas do governo federal voltados para a saúde, enquanto a atenção básica levou só 0,87% dos recursos.

Enquanto isso, na saúde mental…
Os serviços ambulatoriais se reduziam a atendimento de psiquiatria no Inamps. E isso recebia de 1% a 2% de todos os recursos da saúde mental, que iam para os hospitais. “Os hospitais psiquiátricos privados tinham plena liberdade de internar quem quisessem e nas condições que bem entendessem”, lembra o pesquisador Eduardo Mourão Vasconcelos, da UFRJ. “Nós costumávamos dizer que o hospital privado recebia um cheque em branco do Inamps: bastava internar para receber. E isso gerou, inclusive, problemas para a Previdência porque a população começou a perceber a facilidade de internação. Então, se utilizava o hospital psiquiátrico como forma de justificar aposentadoria por invalidez, por exemplo”, diz, contando que a doença mental virou um dos primeiros itens de pedido de aposentadoria no país.

Além dessas estratégias para contornar o Estado, abundavam casos em que pessoas eram internadas mesmo sem ter qualquer transtorno mental. “Podia ser um marido querendo se desfazer de uma esposa porque tinha outra… Ou crianças deficientes. Em suma, todos os indesejáveis”, resume. O filme ‘Bicho de sete cabeças’ conta a história real de Austregésilo Bueno que, com 17 anos, foi internado em um hospício depois que seu pai achou um cigarro de maconha no seu casaco em 1974. “O filme reflete a realidade de um hospital privado lucrativo que, em determinado momento, tem leitos ociosos e vai recolhendo mendigo na rua para fazer internação”, conta.

No setor público, a situação não era melhor. Os maiores hospitais psiquiátricos pertenciam aos governos estaduais. Juqueri, em Franco da Rocha (SP) e Barbacena (MG) são casos paradigmáticos. “As pessoas ficavam sem fazer nada, eram submetidas a torturas, não se tinha controle nenhum das condições sanitárias dentro desses asilos que eram verdadeiros campos de concentração”, conta Eduardo. Durante o período em que funcionou, morreram 60 mil pessoas em Barbacena. A história do hospício foi contada pela jornalista Daniela Arbex no livro ‘Holocausto brasileiro’. “Morriam pessoas de doenças infectocontagiosas e Barbacena vendia os cadáveres para as escolas de medicina, 17 no total”, diz ele. Esse estado de coisas, destaca Eduardo, era plenamente aceito pela sociedade.

“É isso que começamos a denunciar a partir de 1978, quando formamos o movimento de reforma psiquiátrica”, explica ele, que conta que a coisa não ficou só no discurso e os jovens psiquiatras e psicólogos partiram para a ação. Nos estados e municípios onde o partido de oposição à ditadura ganhava, lá estava alguém do movimento apresentando ideias.

No final da década de 1980, em Santos, foi inaugurado o primeiro “CAPs” que funcionava sete dias da semana, 24 horas. Foi chamado de Núcleo de Atenção Psicossocial. “Esse serviço mostrou a viabilidade de substituir completamente o hospital psiquiátrico e a importância dessa atenção intensiva para a população com transtorno mental mais severo, que passava lá várias horas, fazendo atividades como pintura etc. E de intervenção junto à família, porque o serviço colocava em outro patamar a recuperação dessas pessoas, inclusive, em termos de cidadania”, conta Eduardo. E pondera: “Do ponto de vista assistencial, tiveram pouco impacto. Mas foram iniciativas que nos apontaram um rumo a seguir”.

O SUS antes do SUS
A mesma tática de ocupação ‘por dentro’ estava sendo usada pelos sanitaristas que lutavam pela conformação de um outro sistema de saúde no país. Tudo começou nas periferias que, com a migração, viraram uma panela de pressão. “Foram criadas e realizadas políticas públicas para atenuar a tensão social, que era explosiva. Os municípios começaram a arregaçar as mangas. E a saúde foi uma das políticas públicas que entrou nesse esforço – junto com a criação de linhas de ônibus, arruamentos. Os sanitaristas começaram a se dirigir aos prefeitos e a oferecer projetos para trabalhar nas periferias”, conta Nelsão. “Nós soubemos ser sensíveis àquele momento. Não tecnocráticos, sensíveis ao que estava se passando”, acrescenta Lígia.

Os primeiros postinhos de saúde, o embrião do que hoje conhecemos como atenção básica no Brasil, foram criados nessa época. “Eram pequeninos, muito pobres, vagabundos. As prefeituras alugavam nas periferias casinhas quase abandonadas”, descreve Nelsão. No começo, médicos, enfermeiros e demais profissionais atendiam só duas vezes por semana. Mas fazia diferença um serviço perto de casa. Além disso, os postinhos não faziam distinção entre quem tinha carteira assinada e quem não tinha. “A Previdência tinha os PAMs. Eram prédios grandes nos centros das cidades.

Quando as próprias prefeituras, com orçamento escasso, começaram a fazer os postinhos, os sanitaristas começaram, ano a ano, a crescer suas equipes de médicos jovens, [profissionais de] enfermagem, auxiliares de saúde e dentistas. Aos poucos, os previdenciários que estavam na periferia das cidades foram indo cada vez mais para os postinhos. A maior parte deixou de ir aos PAMs”, relembra o sanitarista, que destaca: “Os postinhos já nasceram com o princípio da universalidade e toda a população tinha direito ao atendimento”.

Nessa linha, esses serviços foram criando um prestígio cada vez maior até que, em 1983, a Previdência Social começou a fazer convênios com as prefeituras. O nome desse convênio era AIS: Ações Integradas em Saúde, uma sigla muito famosa na época. “A Previdência percebeu que era mais vantagem assim. E quando pôs uma parte do dinheiro nas prefeituras todo mundo ganhou. O governo federal, que economiza dinheiro porque os PAMs eram estruturas gigantes e caras, e os municípios, que tinham um orçamento muito pequeno. Com as AIS, as prefeituras quase que dobraram seu orçamento. Foi um salto. E aí começou a se perceber que o país poderia organizar o atendimento à saúde de modo que a Previdência entraria num sistema único”, diz Nelsão.

Além da União, o governo estadual punha recursos e a prefeitura também. Somando os três ‘dinheiros’ dava para fazer um sistema de saúde. E, de acordo com Nelsão, esse novo sistema começou a pintar na cabeça de todo mundo no começo dos anos 1980. “E aí se olhava para os sistemas europeus que estavam dando certo e era exatamente isso. Uma boa atenção básica à saúde perto dos locais onde a população mora ou trabalha vai resolver de 80% a 90% das suas necessidades. Uma boa atenção básica manda para os hospitais ou para o atendimento especializado de 10% a 20% dos casos. Esse é o modelo europeu, que nós, brasileiros, assumimos. E quando o SUS assumiu essa possibilidade, assumiu pra valer e acontecer. Até porque desde os anos 1970, as prefeituras provaram que era possível”, resume ele.

E assim o SUS foi sendo criado informalmente antes da Constituição de 1988. “Quando essa discussão aconteceu não foi muito difícil porque não eram só ideias que se discutia na Assembleia Nacional Constituinte. Estávamos discutindo fatos”, frisa Nelsão. “O SUS não surge do zero. Mas carrega consigo uma herança – positiva e negativa – que existe e vai sobrevivendo”, conclui Carlos Ponte.

O sangue como mercadoria
“Existia uma verdadeira máfia do sangue. Realmente, o comércio do sangue era algo dominado por quadrilhas de bandidos que dominavam tanto os bancos privados, quanto os bancos de sangue públicos. Quem denunciasse isso estava arriscado a morrer’”, conta Moisés Goldbaum.

Com isso, muitas pessoas que recebiam transfusões eram contaminadas com doenças transmitidas pelo sangue, como hepatites. Na década de 1980, com a epidemia de HIV/Aids, o quadro ficou mais grave. O caso mais célebre é o do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho. Hemofílico, ele precisava se submeter a transfusões periódicas. E uma delas, foi fatal. Na época, ainda não existiam medicamentos tão eficientes como hoje.

Mas Betinho liderou a campanha da sociedade civil. E conseguiu despertar a atenção da opinião pública mostrando que tinha alguma coisa de muito errada com aquele sistema de saúde. “Teve um filme sobre o sangue, a intelectualidade se encontrou com os problemas de saúde, que ultrapassaram uma certa barreira técnica”, considera Ligia Bahia. Mas não foi fácil.

Na Constituinte, o único ponto da área da saúde que precisou ir a votação foi justamente o do sangue. Havia emendas suprimindo a proibição da comercialização de hemoderivados. Depois de duas votações, ficou garantido na Constituição que “sangue não é mercadoria”, como dizia o slogan da campanha da sociedade civil. “Esta é uma questão nacional da qual o sangue é apenas uma ponta do iceberg, mas é uma ponta importante, é uma ponta fundamental”, disse Betinho, no dia 24 de agosto de 1988 no auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados. E completou: “A tragédia da Aids é a tragédia da morte que passa por este sistema de saúde que está marcado pela comercialização, pelo lucro e pela impunidade”. (Da EPSJV/Fiocruz, via saúde popular – grifo cartacampinas)

Maíra Mathias
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Arte da Guerra: O vírus do medo

11:33 0
Artigo de opinião sobre o coronavírus na Itália, mas a avaliação do autor cabe perfeitamente no Brasil:

Dado que o Coronavírus não deve ser subestimado e que as 10 regras preventivas do Ministério da Saúde devem ser seguidas, uma décima primeira regra fundamental deve ser adotada: impedir a disseminação do vírus do medo.Ele é transmitido principalmente pela televisão, a partir da RAI, que dedica os telejornais quase inteiramente ao Coronavírus. O vírus do medo penetra assim em todas as casas, através dos canais de televisão.

Enquanto lançam o máximo alarme sobre o Coronavírus, eles silenciam o facto de que a gripe sazonal, epidemia muito mais mortal, provocou em Itália, durante a 6ª semana de 2020 – segundo o Instituto Superior da Saúde – em média 217 mortes por dia, devido também a complicações pulmonares e cardiovasculares ligadas à influenza. Omitem o facto de que – segundo a Organização Mundial da Saúde – morrem em Itália num ano devido ao HIV/AIDS mais de 700 pessoas (em média 2 por dia), num total mundial de cerca de 770.000.

A propósito da campanha alarmista sobre o coronavírus, Maria Rita Gismondo – Diretora de Macrobiologia Clínica, Virologia e Diagnóstico de Bioemergência, do Laboratório do Hospital Sacco de Milão, onde se analisam as amostras de possíveis contágios – declara: “A mim, parece uma loucura. Trocaram uma infecção apenas mais grave do que uma gripe, por uma pandemia letal. Vejam os números. Não é uma pandemia.”No entanto, a voz da cientista não chega ao grande público, enquanto todos os dias, da RAI – serviço que deveria ser público – os canais Mediaset e não só, espalham entre os italianos, o medo sobre o “vírus mortal que, da China, se espalha pelo mundo”.

De facto, a campanha funciona, de acordo com o que declara o Secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, numa entrevista à Fox Business: “Penso que o coronavírus contribuirá para o regresso de postos de trabalho da China para os EUA. Na China, primeiro houve a SARS, depois a peste suína, agora o coronavírus”. Assim, comenta o New York Times, “a perda para a China pode ser um benefício para a América”. Por outras palavras, o vírus pode ter um impacto destrutivo sobre a economia chinesa e, numa reação em cadeia, sobre o resto da Ásia, da Europa e da Rússia, já afetadas pela queda nos fluxos comerciais e turísticos, para total vantagem dos EUA, que permaneceram economicamente disponíveis.

Global Research, o Centro de Pesquisa sobre Globalização, dirigido pelo Prof. Michel Chossudovsky, está a publicar sobre o tema da origem do vírus, uma série de artigos de especialistas internacionais. Eles demonstram que “não se pode excluir que o vírus tenha sido criado em laboratório”. É um campo cercado pelo segredo mais denso, frequentemente sobre a cobertura de pesquisa científica civil. No entanto, surgem factos:

A presença em Wuhan de um Laboratório Biológico, onde os cientistas chineses, em colaboração com a França, efetuam estudos sobre vírus letais, entre os quais, alguns enviados pelo Laboratório Canadiano de Microbiologia. Em Julho de 2015, o Instituto Pirbright  do governo britânico, patenteou um “coronavírus atenuado” nos EUA. Em Outubro de 2019, o Johns Hopkins Center for Health Security  efetuou, em Nova York,  uma simulação de pandemia de coronavírus prevendo um cenário que, se ocorresse, causaria 65 milhões de mortes.

Pelo contrário, a pandemia do vírus do medo, que se espalha com efeitos socio-econômicos irreparáveis, não é simulada.

Manlio Dinucci

FONTE: Global Research
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