A expressão, muito citada, da filósofa alemã, de origem judaica, Hannah Arendt (1906-1975) continua atual. Na verdade, ela, a expressão, é trecho do subtítulo do seu livro, "Eichman em Jerusalém - um relato sobre a banalidade do mal" (1963). Arendt referia-se ao genocida nazista Adolf Eichman. Homem de nível cultural, aparência e gestos comuns, enfim, pessoa medíocre (no sentido exato da palavra: mediano), mas um dos maiores assassinos da história da humanidade.
Aplica-se, cai como uma luva, no governo Bolsonaro. Há orquestração de maldade nos pensamentos, palavras e obras do presidente e de quase todos os seus ministros, secretários e dirigentes de fundações ou qualquer órgão da administração federal. Já prestaram atenção nisso? Tod@s @s que assumem quaisquer cargos chegam com palavras de afronta aos direitos humanos, às questões culturais, nacionais, regionais, raciais, de gênero, aos povos nativos e aos necessitados. É tudo combinado. Desmonte de tudo o que existia em favor do povo. O desmantelamento do programa Mais Médicos, que deixou milhões de pessoas sem assistência, foi a primeira decisão do governo Bolsonaro. Daí em diante não veio apenas um, mas uma série de pacotes de maldade. Outros ainda estão por vir.
Mesmo orquestradas, essas ações e palavras não são do mesmo nível, porque são perpetradas por pessoas diferentes. Vão do patético, risível à maldade refinada, ao ódio premeditado.
Já se dividiu o governo Bolsonaro em dois: setores: o cômico (Weintraub, Damares) e o da maldade (Guedes e Sérgio Moro). Não há divisão, eles se completam.
Os casos são constantes. O mais grotesco foi o do cover de Goebbels, o ex-secretário de Cultura Roberto Alvim. Assume (?) a atriz renomada Regina Duarte, mas o grotesco continua. Em vez de palavras de esperança aos colegas a atual "fascistinha do Brasil cita o "marxismo cultural", expressão cunhada pela extrema-direita. Ela não sabe nem o que é marxismo. Para agradar o "führer".
Por sua vez, Weintraub veio para destruir. O mais grave nele não é o semi-analfabetismo: é essa sede de destruição de ações educativas vitoriosas no Brasil, como é o caso do Enem, do Enad, da alfabetização de adultos.
Damares lança campanha contra gravidez na adolescência. Quem é a favor disso? Se a única maneira de evitar a gravidez é a abstinência sexual (não é, todos sabem), que adolescentes se abstenham para evitar o mal maior. Nada contra. Mas vem a marca da maldade: para chocar fala em alguém (o perpetrador do abuso) "possuir uma vagina de menina de 12 anos", como se adolescência se limitasse apenas a esse patamar etário. Atenção para o verbo "possuir" (que coisa grotesca). Quem violenta é possuidor de quem, de quê?
Guedes se revolta com empregada doméstica na Disney.
É a questão da banalidade do mal. Eles/elas estão a falar para quem? para a grande parcela conservadora e desinformada da sociedade brasileira. Não apenas às classes dominantes, liberais em questão de sexo, em sua maioria. É para a dona de casa, o pedreiro, o motorista de táxi. As mensagens têm receptividade em alguns setores da população. É assustador.
Paulo Verlaine,
Jornalista e escritor








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